Alemão: um pai no Caminho da Fé
O Caminho da Fé nunca é o mesmo.
Para cada peregrino, existe um Caminho diferente. E mesmo para quem o percorre duas, cinco ou dez vezes, ele sempre se transforma. Mas ter um guia como o Alemão faz tudo ficar mais leve, mais emocionante e muito mais divertido.
Quando comecei a pesquisar sobre como peregrinar pelo Caminho da Fé, descobri duas opções: ir sozinho ou caminhar em grupo, acompanhado por um guia. Como seria minha primeira experiência, tanto no Caminho quanto em trilhas, achei mais prudente seguir com uma turma. Foi então que comecei a procurar um guia.

Entre tantas opções, encontrei o Alemão Peregrinações pelo site Peregrino Sem Fronteiras.
Não era, na época, o melhor marketing, nem a propaganda mais chamativa. Mas havia verdade nas publicações. E os comentários no Instagram confirmavam isso.
Quando entrei em contato, o próprio Alemão me respondeu. Disse que em 2024 já não havia mais vagas (era mês de agosto) e me enviou as datas para 2025. Quis entrar na turma de maio, mas só consegui fazer a reserva um mês depois. Felizmente, ainda restavam vagas.
Os meses passaram. A cada parcela paga, o Alemão agradecia de forma simples e direta, sem rodeios. Até o dia do nosso encontro, a comunicação se resumiu a isso e às mensagens com orientações sobre o Caminho.
No grupo da turma de maio, comecei a trocar ideias com os participantes, tirando dúvidas e compartilhando expectativas. Aquilo foi fundamental para a preparação.
Chegou, então, o dia do encontro na pousada em Águas da Prata.
Fui acompanhado da minha esposa, da minha filha, de uma cunhada e de uma sobrinha. Após se acomodarem, elas retornaram. Aos poucos, outros peregrinos foram chegando, e as primeiras conversas começaram a surgir.

Até que o Alemão chegou e em poucos minutos, já estava brincando com alguns peregrinos conhecidos, especialmente com a Tati. Ajudei a descarregar o carro: malas, camisetas, livros, souvenirs e cajados.
Quando todos os peregrinos estavam reunidos, ele nos chamou para um dos quartos da pousada. Pediu que cada um se apresentasse, distribuiu as camisetas, os cajados e passou orientações importantes para os dias seguintes.
Depois, fomos jantar no restaurante ao lado. E, ao final, fiquei mais alguns minutos conversando com ele enquanto pitava seu “paeiro”.
Essa descrição do primeiro dia não resume quem é o Alemão e muito menos sua história. Serve apenas para criar o cenário de tudo o que ele representaria nos dias seguintes.

Uma curiosidade que todo mundo tem ao conhecê-lo é sobre sua vida e o motivo de ter se tornado guia. A resposta, no começo, é sempre a mesma:
“Em Paraisópolis você vai saber.”
Paraisópolis fica quase no fim do Caminho, por volta do oitavo dia. São oito dias de curiosidade. É lá que ele reúne a turma e conta sua história, do jeito dele. Não vou reproduzir aqui. Vale a pena ouvir da própria boca.
Durante todo o Caminho, o Alemão se mostrou um guia diferente.
Ele não é aquele que te pega no colo, que fala o que você quer ouvir, que facilita o trajeto ou burla o percurso.
O Alemão é muito mais que um guia, é um PAI.

Onde já se viu um guia dar bronca?
Ou dizer, quando alguém pede carona:
“Eu conheço peregrino quando está mal. E você não está. Pode andar.”
Um guia que parece o “Seu Saraiva” quando alguém faz perguntas óbvias. Que brinca, tira sarro e transforma o cansaço em riso.
Esse é o Alemão.
Ao mesmo tempo, é carinhoso, respeitoso e atencioso com cada pessoa da turma. Ele enxerga o potencial de cada um. Percebe quando alguém não está bem. Quando o corpo está presente, mas a alma, não. E chama “pra casinha” quem precisa de uma boa conversa.
Cuida dos ferimentos do corpo (principalmente das temidas bolhas) e também dos ferimentos da alma, com conselhos, palavras de fé, superação, amor e esperança.
Cada encontro com ele, nos pontos de apoio ou nas pousadas, é um momento de alegria. Não apenas pela água, pelo café, pelas frutas e guloseimas, mas pela energia, pelas histórias, pelas piadas e pela presença.
É como encontrar um porto seguro depois de quilômetros de subida intensa ou de uma descida dolorida.

Como um pai, o Alemão nos guia e nos ampara, sem tirar a dureza do Caminho. Pois, assim como a vida, o Caminho também é difícil, exaustivo e transformador.
Costumo dizer que tive alguns “pais” não biológicos ao longo da vida. Pessoas que ocuparam espaços que, talvez, meu pai biológico não conseguiu preencher.
E isso não diminui em nada o amor, o respeito e a admiração que tenho por meu pai biológico. Pelo contrário. Entendo como a vida o moldou, e não o julgo pelos silêncios.
Sou grato por cada pai que encontrei pelo caminho da vida.
E sou ainda mais grato por ter encontrado o Pai Alemão pelo Caminho da Fé.
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Que Deus e Nossa Senhora de Aparecida abençoe você e sua família.
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