Descer nem sempre todo santo ajuda!
Tudo o que sobe, desce! A cada subida de serra vencida, vem uma descida que machuca. Descubra por que entender essas descidas pode fazer toda a diferença na sua caminhada.

Ao longo do Caminho da Fé, a altimetria acumulada de descidas ultrapassa 10 mil metros de desnível ao longo de toda a rota entre Águas da Prata e Aparecida. São diversos morros que subimos e descemos durante todo o percurso, que em sua maior parte é feito cortando a Serra da Mantiqueira.
As diversas subidas do Caminho da Fé cansam, tiram o fôlego e fazem a perna queimar, mas são nas descidas que o corpo costuma gritar mais alto.
Descer não é descanso. É controle. As descidas são os trechos que devemos ter a maior atenção, por alguns motivos.
Em muitas partes do caminho, encontramos diferentes tipos de solo: estrada de terra batida, de terra fofa, estrada com poucas pedras e outras com muitas pedras soltas, isso tudo seco ou molhadas em dias de chuva.
Além das dificuldades do solo, as descidas são trechos que geralmente causam muitas dores.
Nas descidas longas e ingrimes, o corpo trabalha “freando” o próprio peso a cada passo. Diferente da subida, onde os músculos empurram, na descida eles seguram. E isso muda tudo.
Os joelhos são os primeiros a reclamar. A cada impacto, a articulação recebe uma carga maior do que em terreno plano. O quadríceps precisa trabalhar o tempo todo para estabilizar a perna, e quando ele cansa, o joelho sofre. Não é à toa que muita gente começa a caminhada bem e termina mancando depois de uma grande descida.
Os dedos dos pés também pagam o preço. Em descidas longas, o pé escorrega dentro do tênis, os dedos batem repetidamente na frente do calçado e, quando o ajuste não está correto, surgem unhas roxas, bolhas e dor que acompanha o peregrino por dias.
As panturrilhas entram nessa conta como amortecedores naturais. Elas ajudam a controlar o movimento do tornozelo e absorver parte do impacto. Quando estão fracas, encurtadas ou sobrecarregadas, o risco de câimbras e inflamações aumenta, especialmente no final do dia.
Para percorrer descidas sem se machucar, três coisas fazem diferença real:
– Controle da passada: passos mais curtos, corpo levemente inclinado para frente e atenção constante no terreno reduzem o impacto direto nas articulações. Descer rápido demais costuma ser convite para dor.
– Equipamento ajustado: tênis com bom amortecimento, numeração correta e cadarço bem regulado evitam que o pé deslize. Bastões de caminhada (Cajados) ajudam muito, redistribuindo parte do peso para os braços e tirando carga dos joelhos.
– Preparo muscular: especialmente quadríceps, glúteos e panturrilhas. Fortalecer essas regiões antes da caminhada não é luxo, é prevenção. Alongar após o dia de caminhada também ajuda a reduzir o encurtamento muscular que piora a dor no dia seguinte.
No Caminho da Fé, subir testa a vontade. Descer testa o corpo.
Quem entende isso antes de começar, caminha com mais consciência, menos dor e muito mais chances de chegar bem até Aparecida.
Já ouviu falar em papete trekking?
Nem sempre o melhor calçado do Caminho da Fé é o tênis.
Quem se prepara para o Caminho da Fé costuma focar em mochila, bastão e tênis de caminhada. Mas existe um item pouco comentado e extremamente útil que pode fazer diferença real no conforto e na saúde dos pés: a papete de trekking.
Ao longo da caminhada, especialmente nas longas descidas, é natural que os pés inchem. Esse inchaço aumenta a pressão dentro do calçado fechado e costuma causar bolhas, dor nos dedos, unhas machucadas e até dormência. É nesse ponto que a papete de trekking se torna uma aliada estratégica no Caminho da Fé.
Diferente de sandálias comuns ou chinelos, a papete de trekking é um calçado projetado para caminhada. Ela oferece solado estruturado, boa absorção de impacto e ajuste firme por meio de tiras ou velcro, permitindo que o pé fique mais livre sem perder estabilidade.
A melhor opção é carregar a papete no Caminho para trocar com o tênis sempre que necessário. Essa alternância ajuda a reduzir o atrito, melhora a circulação e permite que os pés se recuperem para o dia seguinte. Muitos peregrinos descobrem isso tarde demais, depois que as bolhas aparecem.
Vale reforçar: nem toda papete serve para o Caminho da Fé. O ideal é escolher modelos específicos para trekking, com solado aderente, boa estabilidade e ajuste correto. Papetes inadequadas podem causar instabilidade, dores ou novos pontos de atrito.
Em 2025, usei a papete Aqualand da Bull Terrier e foi a melhor decisão que tomei antes de ir para o caminho. Infelizmente essa dica importante não foi em nenhum site sobre o Caminho da Fé, mas em sites de trilhas.

Esse carinha aqui do lado provavelmente me livrou de algumas bolhas e com certeza de dores nas unhas. Logo no terceiro dia, resolvi utilizá-lo e daí por diante se tornou parte principal do vestuário.
Praticamente eu apenas começava o dia com o tênis e trocava na metade do dia, ou então, quando o início já era uma descida, já iniciava com a papete. Essa papaete é muito resistente, muito confortável e perto de algumas outras, é até bonita.

Seu solado de borracha garante tração e a entressola de PU absorve o impacto e garante conforto prolongado. Além de ser ajustável no calcanhar, também é muito leve.
Confira abaixo outras opções de sandálias trekking.
No Caminho da Fé, cuidar dos pés não é conforto extra, é estratégia de sobrevivência.
E a papete de trekking, quando bem escolhida, deixa de ser acessório e vira equipamento essencial.
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Se conhece alguém que também está se preparando para o Caminho da Fé, compartilhar este artigo pode evitar dores, erros e desistências no meio do percurso e garantir um Caminho da Fé repleto de aventura, emoção e sorrisos.
Que Deus e Nossa Senhora Aparecida abençoe você e sua família.
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